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Famílias do Quilombo Silva denunciam tortura e discriminação racial por brigadianos

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As noites de 24 e 25 de agosto, semana passada, ainda não saem da memória dos mais de 60 moradores do Quilombo Silva, no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre. “Pai, chama a polícia!”, pediu uma criança ao ver o quilombo ser invadido por dezenas de policiais militares do 11º BPM na noite da última quarta-feira. 

 

Naquela noite, um dos moradores indagou dois brigadianos que faziam abordagem a um jovem quilombola na entrada da área. O trabalhador se identificou, mas foi surpreendido ao ter uma arma apontada para a sua direção. “Com medo dos brigadianos, ele entrou no Quilombo. Minutos depois, teve a casa invadida por vários policiais e foi levado para um posto da Brigada Militar”, conta Onir Araújo, advogado e Coordenador do GT Quilombola.
 
Conforme relato do morador, durante uma hora, ele foi obrigado a ficar algemado, com as mãos nas costas, e de joelhos no posto do 11ºBPM, no bairro Chácara das Pedras. Os brigadianos, que não tinham provas materiais para acusar o trabalhador, não o levaram para uma delegacia de polícia, como é de praxe quando se comete algum delito.
 
Um dia antes, na Avenida Nilo Peçanha, um jovem de 18 anos, também morador do Quilombo, foi abordado pelos mesmos policiais militares. Em via pública, ele foi algemado e teve a vianda de comida amassada e jogada na calçada. O jovem presta Serviço Militar Obrigatório e voltava do quartel. Mesmo se identificando para os PMs, foi humilhado. "Está ocorrendo um racismo institucional, com alguns policiais tentando criar um estigma dentro da comunidade. Nada justifica as abordagens seletivas, muito menos a invasão da casa de um trabalhador", ressalta Araújo.
 
O Movimento Negro Unificado já encaminhou uma ação judicial, bem como denúncia ao Comitê Estadual Contra Tortura. No Comando do 11º BPM, os policiais militares fardados e à paisana que invadiram o Quilombo na última terça-feira foram identificados. "As crianças estão com medo", diz Lorivaldino Silva, presidente da Associação do Quilombo Silva, que completa um ano de titulação como o primeiro quilombo urbano do Brasil. A Secretaria de Gênero e Combate à Discriminação Racial do SINDISPREV-RS também cobra um posicionamento dos órgãos de Segurança Pública e do Poder Judiciário.
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