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O Plano Marshall de Guedes ao contrário

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O ministro da Economia Paulo Guedes, em entrevista concedida à imprensa nacional no dia 29/11/2018, abordou diversos temas sobre o futuro da economia e revelou que pretende fazer uma ampla desvinculação do orçamento federal, eliminando as obrigações de investimentos já definidos na constituição, como as rubricas da saúde e da educação, além das demais obrigações previstas em lei. Isso vai promover um verdadeiro salve-se quem puder entre os ministérios na disputa pelas sobras. Tudo será feito a fim de cumprir a meta do teto dos gastos públicos em busca do “superávit primário” (saldo positivo no caixa), que, por sua vez, tem sido destinado ao pagamento dos juros da dívida pública.

Guedes afirmou também que o maior de todos os problemas que impedem o crescimento do país é a previdência pública, que precisa ser reformada urgentemente, pois se configura como “o maior gasto do orçamento federal”. Será?

Milagrosamente, ele tocou no assunto que é um tabu para todos os governos e para a mídia brasileira, a dívida pública. Afirmou que a conta dos juros da dívida consome R$ 400 bilhões por ano, ou seja, o valor de um Plano Marshall, que resgatou a Europa devastada pela Segunda Guerra. Na sua avaliação, para reduzir o pagamento de juros seria necessário diminuir o tamanho da dívida, sendo que a solução por ele apontada é a venda de estatais para abater a dívida bruta. A farsa e a hipocrisia continuam, como em todos governos. A estratégia é maquiar e negar os montantes realmente pagos a título de juros e amortizações da “dita” dívida.

Em 2018, a despesa com a dívida pública consumiu 40,66% do orçamento, entre pagamentos e refinanciamentos, atingindo o valor de R$ 1,065 trilhões. No entanto, a Previdência Social, que garante direitos à população, consumiu somente 24,48%. Quem de fato está falindo o Brasil?

Nossa proposta é aplicar o nosso Plano Marshall nas rubricas que realmente interessam ao povo, salvando o Brasil e os brasileiros, ao invés de entupir os banqueiros e rentistas com nossos impostos. Aplicar as orientações engavetadas das várias CPI’s da Previdência, inclusive o relatório do senador Fernando Henrique Cardoso, de 1987, ignorado por ele mesmo quando foi presidente da República. Aplicar o Art. 26 das Disposições Transitórias da Constituição Federal, promovendo imediatamente a auditoria da dívida pública, tantas vezes “estranhamente” negada por todos os governos.

Vamos buscar a verdade e deixar de alimentar os banqueiros nacionais e internacionais para dar saúde, educação, segurança e previdência ao nosso povo!

Jorge Patricio – diretor do SindisprevRS

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