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Nota sobre a conjuntura política

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A participação criminosa de Bolsonaro nos atos que pediam intervenção militar, no último domingo, dia 19/04, desencadeou uma forte reação contra sua postura intervencionista, e deu início a um profundo agravamento da crise política do país.

Como resultado, o consórcio de grupos que davam sustentação ao governo Bolsonaro começou a se desagregar rapidamente.

O pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça consiste na queda de um dos principais pilares que sustentavam o governo. Além disso, outros fatos contribuem para acelerar o desgaste, como os conflitos em torno do esboço de plano econômico apresentado pela casa civil, em contradição com diretrizes que vinham sendo defendidas pelo Ministério da Economia e isolam, ainda mais, Paulo Guedes, outro importante pilar de sustentação do governo.

A intervenção de Bolsonaro na Polícia Federal não foi somente uma tentativa de abafar as investigações contrárias à sua família e seu grupo político, o que já seria condenável, mas também demonstra claramente o ímpeto autoritário do Presidente da República que, em cada movimento, busca ampliar seu controle pessoal sobre o aparelho de Estado.

Esta medida se choca frontalmente contra os interesses do "partido da lava-jato", que se integrou ao governo para implementar seu programa de autonomia das Polícias e do Ministério Público, constituindo-os em uma espécie de poder paralelo sob o argumento de combate a corrupção. Portanto, a ruptura entre Moro e Bolsonaro desnuda uma disputa por espaços de poder entre esses dois grupos políticos, que é completamente alheia aos interesses do povo.

O agravamento da crise política demonstra que o governo Bolsonaro está em claro processo de decomposição, o que conduz também a corrosão ainda mais rápida do seu apoio social. Frente a isso, já se fala abertamente em impeachment na grande imprensa e entre as principais lideranças do país. Tudo isso resulta em total incapacidade de Bolsonaro apresentar saídas e coordenar ações efetivas para combater a crise sanitária e seus efeitos econômicos.

Portanto, está colocada na ordem do dia a necessidade de derrotar Bolsonaro, que hoje consiste no principal entrave para estruturação de uma política séria e responsável para o enfrentamento epidemia do coronavírus e dos seus efeitos econômicos. Neste sentido, é necessário que se conduza uma profunda e transparente investigação sobre as declarações e acusações feitas ontem, 24/04, por Sergio Moro e por Bolsonaro. O povo tem todo o direito de saber das articulações e confabulações que ocorrem nos podres bastidores do poder. 

Além disso, é fundamental a mais ampla organização para lutarmos pelos nossas necessidades mais imediatas, cada vez mais negligenciadas frente a disputa de poder no andar de cima.
Assim, devemos batalhar com mais força ainda pela estatização do sistema de saúde, para que todos tenham atendimento, por condições dignas e seguras de trabalho, pela garantia dos salários durante a pandemia, e pela defesa dos serviços públicos.

Derrotar Bolsonaro, em defesa da saúde, da vida e dos serviços públicos.

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