Carta aberta à população e um convite ao debate
O estado crítico do Instituto Nacional do Seguro Social não é fruto do acaso ou de má gestão pontual, mas sim o resultado de decisões políticas deliberadas de sucessivos governos. Este cenário reflete um projeto de Estado que, ao longo do tempo, permitiu a ocupação de cargos estratégicos por gestores ineptos, fragilizando a autarquia e priorizando o uso de recursos arrecadados para fundos fiscais em vez de reinvestir na própria estrutura do órgão.
Essa crise se manifesta em múltiplas frentes que prejudicam diretamente o cidadão. Observa-se uma desumanização do atendimento, impulsionada por uma automação inadequada e pela falta de investimentos estruturais. Além disso, a terceirização da folha de pagamento para os bancos e a precarização das agências — que sofrem com infiltrações, equipamentos obsoletos e abandono físico — evidenciam o sucateamento do serviço público previdenciário.
Os dados tecnológicos e de pessoal confirmam a gravidade da situação. Em 2025, os sistemas ficaram fora do ar por 67 dias úteis no primeiro semestre; em 2026, já somam 13 dias de instabilidade. Paralelamente, o quadro de funcionários encolheu drasticamente: entre 2019 e 2025, houve uma redução de 42,15% no número de servidores, enquanto o volume de requerimentos analisados subiu quase 40%. Essa sobrecarga, somada à falta de condições de trabalho e ao assédio institucional, tem levado os servidores ao adoecimento físico e mental.
A importância do INSS, no entanto, é vital para a estabilidade do Brasil. O órgão alcança 120 milhões de brasileiros e paga mensalmente cerca de 40 milhões de benefícios, entre aposentadorias e pensões. Em 73,7% dos municípios brasileiros, o valor injetado pelo INSS na economia local é maior do que o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Portanto, quando a Previdência Social falha, o impacto é sentido em todo o comércio e na justiça social do país.
Defender o fortalecimento do INSS e a realização de novos concursos públicos não é uma pauta meramente corporativa, mas uma necessidade estratégica para o Estado brasileiro. Garantir a dignidade de milhões de pessoas e a saúde da economia nacional depende da interrupção do silêncio institucional e da retomada de um debate público sério sobre o futuro da nossa proteção social.
Convite ao debate
Diante desse cenário, o SindisprevRS faz uma provocação pública e responsável. Queremos discutir ao lado do servidor e da população a crise de gestão do INSS; a priorização dos sistemas previdenciários; a governança da Dataprev; as condições reais de trabalho; o papel do teletrabalho e as soluções estruturais que colocam o interesse público a cima de qualquer lógica financeira.
Por isso, convidamos publicamente o Ministro da Previdência Social; a direção do INSS; a Dataprev; as associações de aposentados e pensionistas e as entidades representativas dos trabalhadores para um debate público, aberto e qualificado sobre o presente e o futuro do INSS.
Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência no RS – SindisprevRS